Chema Martínez líder no deserto de Atacama

chemaO especialista em corrida Sport Life, o grande Chema Martínez, que a cada mês responde perguntas de corredores populares em nossa revista, segue com o seu grande desafio “Four deserts”. Depois de ser o segundo na Saara e primeiro no deserto de Gobi, agora está na américa do Sul, no Chile, a enfrentar o temível Atacama Crossing. Lembrar que nesta prova os corredores vão em auto-suficiência, têm que levar com eles todo o material e comida de que necessitam, durante os cinco dias de provas (água sim que o dan).
Esta é a crônica que recebemos de Chema após a terceira fase (va líder, com quase três horas de vantagem).

“Ontem foi o início da terceira etapa desta aventura: 41 quilômetros correndo em dunas de areia e sal, depois de quase 90 que já tínhamos acumulados.

A sensação ainda é que este deserto é tremendo. Nos levantábamos com um esplêndido dia de sol, o que nos fazia esperar voltar a temperaturas em torno de 40ºC, depois de passar a noite enchidos em diferentes camadas de roupa térmica e casacos, envolvidos em nossos sacos até as orelhas e tapados com cobertores térmicos para enfrentar as temperaturas de 0ºC que temos à noite no interior de nossas lojas…

A etapa foi, como era de se esperar desastrosa, como as anteriores. Se vai notando o cansaço, as dores e dores musculares… mas a verdade é que me encontro francamente bem! A experiência que me deram os dois desertos anteriores está sendo fundamental, principalmente na hora de controlar as refeições, os tempos e ritmos ou o peso da mochila.

Praticamente toda a etapa foi desastrosa, já que tivemos que correr em um terreno muito irregular sobre a areia e sal, o que se faz pesadísimo ao se afundar em cada passo. Mas o pior foram os últimos 7 quilômetros da etapa. Aqui o percurso vão marcando umas bandeiras rosas que costumam ser bastante visíveis, mas não sei por que na última parte não eram tão evidentes. Eu percebi quando estava terminando a etapa em que começava a ter dificuldade para localizar as bandeiras. Por um momento, me voltou a invadir aquela sensação de angústia que já senti no Saara e o deserto de Gobi. Parei e disse a mim mesmo: outra vez não!… ¡¡¡Eu não vou perder!!!

Assim como a experiência não é um grau, decidi me impedir de ser e ver, antes de continuar correndo. Passado um tempo, localicé a bandeira atrás de mim e cheguei a conclusão de que o melhor era parar em cada uma, até que exibir a seguinte. Desta forma, apesar de perder mais de 40 minutos, ao ter que parar em cada bandeira, consegui terminar a fase em primeiro lugar, em pouco mais de 4 horas e meia.

Hoje começa a quarta fase em que teremos que percorrer 44,2 km através do Salar de Atacama. Espero contar no próximo post que eu continuo mantendo a liderança ao menos vou dar tudo para que assim seja!

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