CrossFit Tracius: Com as dicas de um campeão

Nem dores musculares ou dores musculares, esse era o inesperado resultado depois de ter feito o segundo dos “Workouts of the Day”, “Reebok Crossfit Games”, contra todo prognóstico, depois de quase não poder me mexer dias depois do primeiro. Estávamos fazendo as 5 provas de qualificação para os ‘Regionals’, fase de apuramento para os campeonatos mundiais de CrossFit, em diferentes boxes. O porquinho-da-índia, era eu, Willy, e sendo um leigo total, não tinha forma de superar as cargas estabelecidas em cada prova, assim, que os treinadores, aconselhados pela prudência, mas estavam a adaptar-se para não quebrar minha antes de tempo. Mundo CrossFit e CrossFit Saragoça tinham sido os dois primeiros boxes e agora íamos para o terceiro.

Meu estado de ‘não-dores musculares’ me dava um pouco mais de ânimo e a próxima fase, o WOD 13.3, se viria a desenvolver em CrossFit Tracius, um dos locais mais emblemáticos da zona centro.

Nada mais chegar um nutrido grupo de crossfiteros, a grande maioria com muito boa pinta, estava aquecendo. Me recebe Vítor Manuel Gil, nada menos do que o actual vice-campeão de Espanha de Crossfit.

“Olá, você deve ser Juan Manuel não é?, se estávamos à espera. Você não tem uma curvatura? Agora te trago uma, começa a aquecer-se que o treino de hoje tem saltos duplos, entre outras coisas”.

Chegar e beijar o santo, me câmbio e em um par de minutos já estou pulando e testando os “double-unders”, saltos em que a curvatura deve passar duas vezes sob seus pés, enquanto você está no ar. Isso não é complicado vindo de esportes aeróbicos.

“Além disso, iniciaremos com lançamentos de bola de 20 libras (cerca de 9 kg) para cima, até tocar ou ultrapassar a linha que você vê lá em cima e, por último, você vai ter que fazer ‘muscle-ups’ nas argolas, ou seja, pendurar-se e puxando-a de braços chegar a aumentar em todo o corpo por cima, ficando com as argolas aos lados do quadril”.

Os lançamentos também não parece tão complicado… até que eu acho que são 150, em seguida, vêm os saltos duplos, 90, nada mais nada menos, e, por último, 30 ‘muscle-ups’. Há 12 minutos para realizar todas as repetições possíveis de esta sequência de 3 exercícios. Eu já estou acojonao!

Victor fica comigo para me explicar como jogar a bola com a técnica correta: “você tem que aproveitar a extensão de pernas para dar impulso à bola, só com os braços, você não vai poder fazer tantas. Quando se agaches lembre-se de colocar bem as costas, tirando a bunda e apertar abdominais e separa bem as pernas para agacharte”.

Caliento com a bola de 12 libras, ideal para realizar bem a técnica. Não me custa muito, mas quando câmbio ao final de 20 quilos tenho outras sensações, a fadiga é cumulativa e chega a um ponto em que a bola não sobe… que difícil! Com 111 repetições, em meus braços, dizer basta e noto desconforto nas costas. Chega o momento de mudar, Victor me aconselha a usar o de menor peso. Farei o teste com o de 12 libras.

Com os ‘muscle-ups’ acontece outro tanto, ou pior… você é impossível fazer um só! Vai ter que mudar alguma sessão de bicicleta e de corrida por um pouco de Crossfit! Victor, com uma nova amostra de bom senso me coloca um elástico que une as anilhas, sobre a qual eu posso me sentar e alivia parte de meu próprio peso, para poder fazer o exercício. Agora sim, apesar de que tenho que me esforçar, nem com a borracha é simples!

No final acabei fazendo o WOD adaptado, com uma bola mais leve e ‘muscle-ups’ com borracha. A curvatura também se podia fazer a adaptação opcional de fazer saltos simples, o dobro de quantidade, mas se fizer isso de verdade, com saltos duplos. Não é o mesmo, mas em todos os 12 minutos que dura a prova eu tenho as mesmas sensações de me preparar ao máximo e acabei com os músculos, como pedras.

Me resta claro que isso não é para qualquer um, embora o CrossFit sim, com o aconselhamento de um bom treinador, que te guie, tenha um grande controle da técnica, saiba explicar bem os movimentos e tenha um bom repertório de exercícios de progressão mais simples do que o exercício ao que se quer aspirar. Vítor Manuel Gil, por sua vasta experiência em competição sabe perfeitamente como orientar um novato como eu, para poder fazer com que prazer e que não se machucar. Obrigado! Com este WOD já passou o equador da prova, só me resta Donosti e Barcelona. Continuar informando.

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