De teste em um triatlo de luxo

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De luxo, porque era em Cannes, onde parece que dar, os Porsches pela rua; de luxo porque iríamos experimentar o Polar mais alto de gama, o V800 especial para triatlo; de luxo por ter de semelhante ao ‘capo’ da Polar no Brasil, Manu Lafora, que tem acabamento mais nada menos do que 6 Ironman e uma Travessia do Estreito; de luxo porque estávamos fugindo do mal tempo de Madrid para ver o sol em umas limpas e bem cuidadas praias; de luxo, porque pudemos conhecer e conversar com o campeão do mundo de Ironman, Friedrich Van Lierde…sigo?

Tudo, há que dizê-lo, o convite me chegou de salto. Era para meu companheiro Antonio do Pinho, diretor da revista Triatlo, ao qual lhe foi impossível ter essa data livre. Não há mal que por bem não venha, até agora só tinha feito um triatlo, e acima Sprint, assim que esta ia ser uma boa oportunidade de testar distâncias um pouco mais exigentes, enquanto punha à prova os benefícios do novo “super-Polar”.
Espetacular o boulevard de La Croisette, estávamos no mesmo sítio por onde desfilam as estrelas de cinema, o famoso festival de Cannes. Na praia do mesmo nome tivemos o primeiro contato marinho com o V800 a primeira hora da manhã, no dia anterior havíamos pego a roupa de neoprene que nos prestaram no Dare2Tri e alguns queríamos provar.

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Com a água a 14º C, os pés, as mãos e a cabeça van fresquitos, mas o resto do corpo está perfeitamente. O mar está muito limpo e até se podem ler as pulsações do Polar quando a mão passa por baixo, a pouco que ralenticemos ligeiramente a braçada. Foi um prazer dar esse ‘passeio aquático’ de manhã, pelo menos eu saí da água com o corpo e a mente revitalizados e o pequeno-almoço posterior me soube a glória.
Polar-nos também conseguiu, por meio de Look, as bicicletas que já havíamos reservado com antecedência, com as nossas medidas para a colocação de selim e guidão, que só tivemos que colocar nossos pedais. No dia anterior tínhamos podido ver o percurso de ciclismo, em um microônibus. Foi um tempo bem investido para fazer ideia da grande quantidade de contínuas subidas e descidas, as subidas, o estado das estradas, etc., A priori, era a parte mais difícil deste tri, com 50 km e cerca de 900 m de desnível positivo.

jlhourcade_cannes (25)O triatlo internacional de Cannes é um novo evento do calendário de competições, que tenta se uma lacuna no panorama internacional, objetivo que pensamos conseguiu com cores de vôo.

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Um campeão do mundo, Frederik Van Lierde no trecho de corrida a pé, a ponto de terminar a sua participação no I Triathlon Internacional de Cannes.

Lá estava o campeão do mundo de distância Ironman e ‘Polar ambassador’ Frederik Van Lierde e outros triatletas de elite como o nosso ‘amigo’ Victor do Curral. É uma prova de que ele virá muito bem os atletas para testar a sua forma pouco antes do início da temporada, mais forte, com dois percursos, um ‘L’ (2.000 m – 80 km – 16 km) e o outro ‘M’ (1.000 m – 50 km – 8 km), que foi o que eu escolhi como novato quase total do triplo esporte.

Dia “D” da hora “H”
Domingo, às onze em ponto, na praia Bijou, na frente do glamouroso casino Palm Beach, dá-se a saída deste peculiar ‘desembarque inverso da Normandia’. Não posso evitar ficar nervoso, a água é o pior que estou com diferença e nadar no mar ao lado de outros 1.000 braços balançando com suas 1.000 correspondentes pés chutando para todos os lados não me acalma muito. Antes de sair eu já tenho 90 pulsações e não comecei a mover-me, mas, apesar de essa tensão inicial, tenho muita vontade de experimentar, sair, correr, nadar, pedalar, desfrutar de paisagens da região.
Pontapé de saída, um monte de público aplaudindo e a tensão desapareceu nada de mais dar os primeiros passos na areia. Diante de um quilômetro de água salgada antes de voltar a pisar na praia de novo. O empuxo extra do neopreno é um prazer, mas a natação me foi fatal, em vez de olhar para o meu próprio rumo erguendo a cabeça, a cada poucas braçadas eu pensei que seria mais fácil seguir um rastro, mas essa espuma levantada com as pernas era de alguns que deviam ser tão maus como eu e que ficaram muito. Os teóricos 1.000 metros iniciais eu acabei com 1.200 e um pouco tonto. Demorou mais de meia hora de cobrir a distância, mas para a minha cabeça foi quase o dobro do bem que não negarei que me deu alegria sair da água.
Manu me puxou “mais nada” dez minutos e lá estava me esperando, chato, na zona de transição para me fazer companhia depois. Quase nem acertaba a tirar o neoprene e entrar em “modo de bicicleta”, como pode afetar tanto meia horita de luta contra a água?, a transição foi grande e demorou mais de 5 minutos em mudar de registro. Tive grandes dúvidas sobre se sair com o tritraje nada mais, ou pouco mais de roupa e no último
imediatamente me pus um deflector de vento fino, um dos acertos do dia, já que com o terno molhado rolando na planície a cerca de 40 km/h sentia frio, até com o deflector de vento. Pouco durou o fresquete já que logo em seguida, aos 5 km, começamos a subir e colocar o prato pequeno.

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Tanta potência que a bicicleta nos encabritaba é…ha, ha…! O que faz ver uma câmera ao lado!

Outro acerto foi o de dar um gel energético, com bastante água, um pouco antes da hora do início da prova. Manter os níveis de glicogênio mais ou menos estáveis, além de trazer uma boa hidratação devem ser duas principais prioridades para você em qualquer prova de fundo. A terceira prioridade, que eu acho que eu tive em conta todo o tempo, foi a de respeitar um ritmo sempre aeróbico, dosar o esforço e reservar certas energias “por que você possa passar.” Assim foram acontecendo as descidas das águas, que foram muitas, concentrado em levar uma taxa relativamente alta, para que na primeira o esforço cardiovascular sobre o muscular, o que eu ia fazer falta ter os quadríceps e gêmeos “enteritos” para correr com certa desenvoltura. Entre custa e custa, outro gel mais, alguns pedaços de banana dos postos de refresco e hidratação constante.
A descida final para o Boulevard de La Croisette foi exhilarante, agradável, rápida e máximo de prazer, os 50 km e estavam a ponto de ser história e isso sempre anima.

Vamos correr!
Segunda transição, nos agarram a bicicleta os voluntários, que devem ser colocados por ordem de chegada (importante lembrar nessa hora, que eles mesmos se cantam, para depois buscá-la, porque não as colocam por dorsal). Fora capacete, serviços de zapas, um gel de cafeína, um gole de água e a correr. A verdade é que a corrida foi onde mais confortável, eu me encontrei, e onde as pulsações chegaram à cifra mais alta de acordo com o V800, até 175
pulsações por minuto durante alguns segundos. Eram apenas 8 km que acabamos Manu e eu, em pouco menos de 37 minutos, com muito boas sensações. Tenho que dizer que o Polar foi uma excelente ajuda para regular o esforço, porque em alguns momentos da corrida a pé e o corpo me pedia mais marcha, talvez pela euforia do final, porque a intensidade foi realmente alta e não estava em condições de superá-la.

2014-04-13_14-00_triatlon_cannesO último acerto foi precisamente ter levado este monitor do ritmo cardíaco avançado para ir controlando a todo o momento, para regular o esforço e para saber, com exatidão, os pressionamentos de teclas que levava na água (média de 156), o desnível e a distância que me restava vencer na bicicleta durante o curso e, sobretudo, o ritmo por quilômetro e as pulsações do trecho final da corrida, informação valiosa que me permitiu cruzar a linha de meta sem ter tido descidas de nível, nem desfallecimientos. Foram duas voltas de 4 km, com muito público transmitiéndonos sua energia e em um ambiente esportivo difícil de comparar.

4ok_Cannes_Polar_ManuLaforaa meta e a emoção é inevitável, nós conseguimos! Agora é aproveitar esses momentos de glória e satisfação pessoal. Isto tem sido de luxo!

www.cannes-international-triathlon.com/

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