Esporte dormindo | Lifes a wow!

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Daniel Z. Levin, Jorge Walter e J. Keith Murninghan são três professores de Gestão Empresarial da Rutgers Business School, da Universidade George Washington e da Universidade de Northwestern, respectivamente. O que têm em comum é que os três se puseram de acordo para levar adiante um estudo que chamaram de “Links Latentes” (“Dormant Ties”).

O estudo consistia em pedir a 200 executivos de diferentes empresas que activaran contatos que, por qualquer razão, tinham “adormecido” há mais de 3 anos. Cada executivo tinha que ativar dois desses contatos e pedir opinião a respeito de algum projeto que tivessem em andamento nesses momentos. Uma vez feito isso, os mesmos executivos deveriam pedir a dois contatos “atuais” conselho sobre os mesmos projetos. Ao final desta experiência, foi-lhes solicitado aos executivos que valoraran o impacto das contribuições realizadas pelos contatos “adormecidos” e os “atuais”. Em quase todos os casos, a conclusão é que lhes havia fornecido mais o input recebido dos que não haviam tido contato nos últimos 3 anos.

As razões que esgrimían foram os que, embora no início não tinham muita fé, ofereceram idéias mais frescas, visões diferentes e abordagens inovadoras , enquanto que aqueles contatos que já seguram no dia-a-dia lhes davam pontos de vista que eles já tinham. Mas, além disso, lhes abriram as portas de contatos que não imaginavam que poderiam aceder. Levin e seus companheiros argumentavam que “acordar uma destas relações de sono não é como iniciar uma nova a partir do nada, já que, quando a gente volta a ligar-se, existe um sentimento de confiança, que facilita e acelera todo o processo”. Um dos executivos disse: “eu me senti super confortável… não tinha de pensar quais eram as suas intenções… já que havia uma confiança mútua que tínhamos construído há muitos anos e isso fez com que a conversa fosse muito fácil”.

Posteriormente se realizou o mesmo experimento, mas nesse caso ela pediu que cada executivo redactara uma lista de 10 contatos “adormecidos” e os pusesse em ordem, em função de que acreditassem que lhe estavam a dar. O resultado foi que, não só todos os contatos lhes deram valor, mas que não se perceberam diferenças notáveis entre o número 1 ou o número 10 do ranking proposto pelos executivos. É mais, outra conclusão muito interessante é que, conforme avançamos em idade, mais valiosos são esses “links adormecidos”. Executivos que estavam em seus 40 ou 50 anos que receberam mais valor de seus contatos que aqueles que estavam em seus 30. Isto faz sentido, já que a idade faz com que tenham mais contatos e mais experiência, tanto por parte do executivo como de seus contatos.

Por outro lado, Adam Grant é um pesquisador e professor da Wharton School, que classifica as pessoas em “cinema”, “matchers” e “givers”. Os “cinema” são aqueles que tentam tirar o máximo dos outros e das relações. Os “matchers” são aqueles que pedem oferecendo coisas para a mudança, enquanto que os “givers” são aqueles que dão sem esperar nada em troca. O que Grant tem demonstrado é que, surpreendentemente, em um âmbito tão cruel e tão frio como o de que os investimentos e os negócios, os “givers”, os generosos, têm muito mais sucesso do que os “cinema” e os “matchers”.

Isto, unido ao que nos contavam Levin e companhia nos faz ver que, no caso de que vamos rever contatos que temos “adormecidos”, ser percebido como um tipo generoso (giver) ou como um chupóptero (taker) marca a diferença. Quando você ligar para essa pessoa com a qual você não tenha falado tanto tempo, há uma diferença notável entre um: “que alegria saber de você… em que posso ajudá-lo?” e um: “o homem, quanto tempo!” enquanto pensa “ele não chama só para cumprimentar, sempre à procura de algo”. E isso eu não quero associá-lo apenas a negócios ou a contatos interessados. O valor que nos dá vai além de temas econômicos. Este retomar relações podem dar-lhe visões diferentes de abordagens de vida, de assuntos educacionais, de temas familiares, de hábitos, de costumes, de temas desportivos… em fim, qualquer coisa que seja importante para nós.

Na hora de retomar relações que no seu dia fossem sólidas e honestas, o esporte é de longe uma das melhores fontes que podemos nos alimentar. Voltar a contactar com os colegas de equipe, com aqueles com os quais temos treinado, com os que temos vivido experiências desportivas intensas, com aqueles com os quais conseguimos conquistas importantes para nós, com os que nos deixaram a pele, sangue, suor e lágrimas, com os quais compartilhamos valores, com os quais temos viajado, com os quais temos trabalhado com um objetivo comum.

Proponho que você faça o teste. Proponho que pensem em pessoas com as que fizestes esporte há muito tempo e que têm fora do radar do vosso dia-a-dia profissional ou pessoal. Que lhes contactéis e vos actualicéis. Capitalizad o esporte dormindo. Para ver o que acontece. Estou disposto a apostar que vos traz muito mais do que apenas uma chamada de telefone. E se você é do tipo “giver”, aquele retomar pode marcar a diferença entre as coisas em que estejam envolvidos, hoje mesmo, de maneiras que não poderia nem imaginar. Vale a pena, não é?. Mesmo que seja só por tomar algo juntos e lembrar o que o esporte significa para nós.

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