O esporte transcende | Lifes a wow!

2011 Bobby McFerrin Grammy Prediction Classical Crossover Album - Cassone

Você lembra de Bobby McFerrin?. É o autor da famosa canção “Dont worry be happy” que todos nós temos cantado em mais de uma ocasião, e que teve tanto sucesso a partir do filme Cocktail. Pois bem, além desse super sucesso mundial, McFerrin é uma referência internacional no canto a capella, é diretor de orquestra, é também conhecido por ter um alcance vocal de quatro oitavas e por reproduzir sua voz, o som de instrumentos ou efeitos de som inimagináveis.

Em 2009, em um Congresso de Neurociências, McFerrin nos mostrou como todos nós temos a música em nosso interior, tenhamos interesse nela ou não. Mostrou como, em qualquer lugar do mundo, se cria o ambiente adequado e se dirige de forma adequada… nossa musicalidade vem à tona de uma maneira que pode nos surpreender a nós mesmos.

Neste vídeo eu mostro como ele fez. Não percam, porque não tem desperdício.

Dizem que há dois elementos que devem ser considerados línguas universais: a música e o esporte. McFerrin nos ensinou como faz a música, mas… o esporte?.

Pois o que vemos em diferentes domínios. Por um lado, vemos que, na própria linguagem de competição. Falta pessoal (Foul) é o mesmo em qualquer lugar do mundo. Gol (goal), fora-de-jogo (alinhamento, é permitido), ou nulo (null) ou fora (out), ou “não-rep”, também é o mesmo. Onde quer que vá, as consequências e o impacto destes termos são os mesmos. Por outro lado, a linguagem não tem apenas que ver com a comunicação verbal. O esporte é particularmente intenso na comunicação não verbal , por exemplo, torcedores de diferentes nacionalidades, estimulando o mesmo computador sem compartilhar a linguagem, ou os próprios atletas beijando o escudo, ou reivindicando qualquer causa ou ação pessoal.

Por último, tem um âmbito de comunicação que é o que mais me interessa. Por exemplo, se você vai a uma reunião de qualquer assunto profissional onde voce reside com alguém que faz esporte e sacáis o tema… não se cria um vínculo que facilita a comunicação? Quando convidamos um cliente para um evento esportivo, fale ou não fale a nossa língua… não se facilita a comunicação? Quando somos capazes de fazer esporte com um colega de trabalho ou um membro da nossa família… não é gerado um link especial que faz com que a comunicação seja diferente? Quando concordamos em academia de ginástica, um clube de corredores ou em um computador de bairro… não somos capazes de saber com quem nos llevaríamos bem e com quem podemos ter um relacionamento pessoal ou profissional mais profunda?

O esporte abre portas que são difíceis de abrir de outra forma. E o faz em tempo recorde. A razão por que isso acontece porque, quando nos envolvemos em qualquer experiência esportiva costumamos nos mostrar como somos em quase todos os sentidos. Costuma sair o bem e o mal que temos dentro e essa exposição provoca um link muito interessante que, de forma inconsciente, gera uma simpatia especial ou provoca uma rejeição que nos poupa más experiências posteriores. Nós não acreditamos que isso é jauja. Não por fazer esporte nos vão sair negócios em cestos ou vamos criar vínculos fortes da noite para o dia. No entanto, o esporte é claramente um catalisador que transforma os registros da comunicação.

Eu acho que há uma oportunidade no ar que ainda não conseguimos pousar. Se o esporte abre essas portas e, além disso, é um canal de comunicação que é capaz de transcender a linguagem… não tem sentido afirmar que estamos infrautilizando? Se o esporte faz com que a comunicação chegue ao âmbito emocional… não é o que qualquer empresa, qualquer empresa, de qualquer computador ou qualquer grupo gostaria de alcançar?

Eu acho que, quanto mais sejamos capazes de integrar a cultura esportiva em nossas organizações, famílias, equipamentos, trabalhos ou qualquer âmbito em que estejamos envolvidos, mais estaremos aumentando exponencialmente as oportunidades de alcançar os nossos objetivos, sejam eles os que sejam.

Essa cultura esportiva integra-se de forma natural com a prática de qualquer esporte, mas também com a incorporação de conceitos como “fair play”, esportividade, meritocracia, orientação para processo com o resultado, como consequência, a cultura de esforço, trabalho por objectivos, trabalho em equipe, liderança, treinar para melhorar, cometer erros para aperfeiçoar e todas estas características intrínsecas ao esporte. Você pode tentar incorporar com técnicas diferentes, mas o esporte é sem dúvida uma das ferramentas mais eficientes.

A minha proposta é que sejamos mais esportivos. Não que practiquemos mais esporte, que, claro, também. O que proponho é que agimos mais com os conceitos de esporte em nossas vidas, tanto quando fazemos desporto como quando não o estamos fazendo. É mais que provável que, ao menos na comunicação, demos um salto de qualidade importante. Mas isso seria apenas o começo. Talvez em algum congresso de neurociências alguém poderia mostrar como o esporte, também cria um vínculo emocional que transcende culturas e idiomas, tirando o que temos dentro, mesmo que não o saibamos.

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